Biografia para o Concurso Literário “Álvaro Feijó”

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Vai esta Biblioteca, juntamente com os professores de Português, dinamizar o Concurso Literário Álvaro Feijó, durante todo o mês de Fevereiro. Este Concurso Literário ocorrerá ao longo do mês de Fevereiro e pretenderá homenagear um dos poetas que passou por terras de Lousada, onde viveu na conhecida Casa de Vilar.

Biografia

 Álvaro Távora de Castro e Sousa Correia Feijó (5 de Junho de 1916 – 9 de Março de 1941) nasceu em Viana do Castelo, segundo o próprio numa manhã com neblina de bronze sobre o rio. O sol era uma incógnita na bolsa esverdeada do horizonte.Desde muito cedo foi estudar para La Guardia para um Colégio de Jesuítas, onde estudou e, com outros, fundou o grupo de poetas do «Novo Cancioneiro», de tendências neo-realistas, de que faziam parte Fernando Namora, Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, Mário Dionísio… Fez parte de uma das mais antigas famílias do Norte de Portugal e foi educado segundo os mais tradicionais preceitos aristocráticos, na tão conhecida Casa de Vilar, em Aparecida, no Concelho de Lousada.

 A sua obra poética, imbuída de um erotismo juvenil e de simbologias viradas para antigas vivências assume características revolucionárias, tendo sido publicada em revistas como: “Sol Nascente”, “O Diabo”, “Altitude” e “Seara Nova” e, postumamente, no “Novo Cancioneiro”.

Obras poéticas: Corsário (1941) e Os Poemas de Álvaro Feijó (1941).

Pagela de Álvaro Feijó

Impedido de concretizar o curso de Direito, abateu-se sobre ele uma doença implacável que o vitimou um ano depois. Apesar da sua origem social privilegiada revelou interesse pelos humildes e  explorados. O mar é o pano de fundo dos seus poemas.

  Alguns poemas:

DIÁRIO DE BORDO

Letra a letra,
hora a hora,
linha a linha,
marquei no Diário de Bordo
as fases da viagem.Dias e dias no embalar das vagas,
sem que um bafo de brisa poluísse
o abandono tentador das velas;
expedições forçadas, abordagens;
fome e sede de carne, nos jejuns
de cem dias de Mar;
velhos contos de bordo, em noites podres,
sem lua e sem estrelas;
o escorbuto na alma, apodrecida
à espera dos combates;
os rateios da presa recolhida
e, ao fim,
a Ilha dos Amores de qualquer porto
onde as mulheres se vendem.
E tudo foi, profundamente, inútil.

Livro de Bordo de Corsário, deixa
que o tempo apague a tua prosa inútil
e escreve a história imensa
daquela frota em que tu vais partir
– como pobre navio auxiliar –
à demanda e à conquista
do Novo Continente!

Corsário

DO ALTO MAR

Tripulação!
às gáveas e às enxárcias;
ao leme e aos cordames;
atenta à tempestade
que anda no Mar
e vai
no nosso coração.

Tripulação!
Ajuda a tempestade…
Deixa ruir o mastro da mesena!
Lança à boca das ondas o sextante!
Deixa ao sabor das vagas o navio!
Não tenhas pena!

Quando haja só convés ao raso de água:
Tripulação…
Atenta.

1939

 

PARÁBOLA

Contei estrelas,

 e elas

morriam, à medida que as contava.

 E a escuridão nasceu.

 

 Mas fiz estrelas

e pendurei-as

na escuridão da abóbada.

 

Fiquei nimbado de luz,

mas a Terra era negra à minha roda…

 

Álvaro Feijó
Corsário (1940)

 

in Os Poemas de Álvaro Feijó

© Evoramons Editores e herdeiros de Álvaro Feijó

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