“Pelo sim, pelo não, vou regando também as plantas falsas”

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Partindo duma proposta do professor de Desenho, Luís Melo, a Maria Gonçalves do 11.ºH escreveu…

Sou um jardim.

Preciso de sol, água, tempo.

Floresço e murcho, ninguém consegue ser algo que não é para sempre.

Assim como as estações, venho e vou.

Dedico-me a todas as minhas flores, independentemente da cor, forma, cheiro.

Talvez me esqueça de uma ou outra, ou talvez as ignore e trate isso como esquecimento.

É realmente difícil permanecer forte enquanto se espera pela primavera.

É verdadeiramente esgotante continuar erguida quando não há sol.

Por isso de vez em quando tenho que fingir, já que nem todas as flores rebentam no inverno.

Muitos outros jardins como eu fazem o mesmo, o mundo perde a sua natureza.

As incertezas crescem, não me deixando ver o dia.

Ficar assim no escuro deixa-me insegura.

Nunca sei com quais jardins posso partilhar o meu adubo.

Mas a escuridão não dura para sempre.

Como a primavera, a luz volta, e a esperança prevalece.

Tudo na vida é uma espada de duas pontas, cinquenta cinquenta.

Quem sabe – coisas boas poderão sempre vir na nossa direção quando menos esperamos.

Por isso, “pelo sim, pelo não, vou regando também as plantas falsas”.

 

 

Análise:

– novamente, acredito que a obra só toma todo o seu sentido quando acompanhada do texto;

– todo o texto é obviamente alegórico, utilizando as flores como principal objeto; estas são representativas das emoções, sentimentos, facetas do ser, podendo por vezes serem fingidas pelos mais diversos motivos;

– embora comece num tom negativo, a obra tem uma intenção mais positiva, revelando que nos devemos manter esperançosos mesmo quando enfrentamos grandes adversidades, quer estas sejam conflitos com o meio ou com o ser;

– a frase realmente mexeu comigo porque, embora este talvez não seja o seu verdadeiro motivo, acho que se adequa à situação pela qual todos estamos a passar – angústia, fragilidade, incerteza; é difícil manter a cabeça erguida, mas devemos sempre guardar um pedaço de esperança dentro de nós.

 

Maria Gonçalves, nº18 11ºH

 

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