Category Archives: Oficina de Escrita

Concurso Literário’19 – VENCEDORES

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Continuação do conto “O Mendigo Português” (III)

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Continuação do conto “O quarto de Brooklyn” – O MENDIGO PORTUGUÊS

Claire Vaughan

O meu nome é Manuel das Flores. Nasci na Fajãzinha.

Não conheci nem pai, nem mãe. Madrinha, Nossa Senhora dos Remédios. Pagou os meus poucos estudos o Pároco de Mosteiro, Pe José Baldaya. Também me pagou a passagem no barco a vapor, que os de vela eram caixões que o mar fretava à miséria dos Açores. Deu-me o enxoval para eu poder partir. Disse-me que todo essa despesa era um legado que tinha recebido anos antes de um americano do Faial,Samuel W. Dabney. Essa quantia destinava-se a ser empregue a melhorar a vida de quem o merecesse. O Pe Baldaya decidira que essa vida era a minha.

Corria o ano de 1918 quando partimos. Vim toda a tormentosa viagem sem medo. Um companheiro mais velho disse-me que as linhas de ferro sobre as quais o barco atravessava o oceano corriam debaixo de água, as rodas deste assentavam sobre carris, como as dos comboios e, por isso, o barco nunca perdia o rumo. O barco era o Bona Fide. Confiante nesta segurança, nunca desesperei,nem nos momentos das vagas mais bravias, como aconteceu a muitos dos meus irmãos de aventura.

Partir era preciso, pois na Ilha a maior dádiva era a fome.

À chegada, Ellis Island, com Manhattan ali tão perto, era uma enorme confusão de gentes de todos os credos e raças, uma babilónia onde nós, os que tínhamos viajado em terceira, tínhamos medo de não recebermos a autorização para ficar na terra do mel e dos figos. Viemos, pois, na aventurosa viagem, António Mendes e eu. Ambos da mesma ilha, ambos afilhados do carinho do Pe Baldaya. Ambos tímidos, cosidos dentro da roupa, mais se poderia dizer que ambos vivíamos embiocados sem termos ainda palavras para nos abrirmos. No barco a comida nem era má, ninguém nos tratava pior do que na Ilha, para além de umas piadas que as mais das vezes nem percebíamos. As piadas morriam ali dentro do gigantesco mar que olhávamos com respeito, quando vínhamos cá acima, espreitar a noite e respirar o ar salgado.

As autoridades deram-nos entrada. O torvelinho, a confusão, o medo e a alegria eram uma tal mistura, que abraçados um ao outro nem sabíamos se ríamos se chorávamos. Fomos buscar as malas onde tínhamos os nossos pertences. Alugamos uma carroça puxada por uma mula e confiamos na sorte. Ao carroceiro mostramos a bandeira de Portugal. Alguém nos tinha dito que, habituados a estas lides, os carroceiros sabiam onde levar os recém-chegados aos locais onde sabiam haver nativos do mesmo país. Foi assim que chegamos a  Sheepshead Bay. Aí vi pela primeira vez a mulher da minha vida. Alta, magra, loura como eu nunca mulher alguma tinha visto. Os olhos azuis, uma porcelana riquíssima.

Vi-a de relance. Ela atravessava a rua. As obras e um sem fim de entraves obrigavam-na a manter a atenção no chão que pisava. Com uma mãe segurava a saia do vestido, cuidando de não sujar a bainha. Depois, encontramos os primeiros conterrâneos. Ajudaram-nos. Um quarto pobre. Comida. Começamos a procurar trabalho. Éramos ambos novos, magros, mas fortes, entramos na construção dos prédios, altos e escuros como as penedias da nossa ilha. Uma manhã, vinha eu do médico onde fora fazer um curativo a um dedo ferido, entrei no Automat para beber um café e comer um pão. Sentada no balcão, estava a mesma belíssima e intimidante mulher que vislumbrara em Sheepshead Bay. Paralisaram-se-me o gesto e a voz. Já nem sabia como pedir a bebida.  Comecei a sonhar que poderia vir a ser minha esposa.

Naturalmente, ela voltou-se para mim e sorriu discretamente.

_ Claire, Claire Vaughan. I am irish.

Eu já conseguia articular algumas palavras inglesas. Respondi:
_Manuel. I am from Açores.

So we both are islanders_sorriu ela.

Encabulado, feliz, encantado, eu.

Foi quando começamos a conversar fazendo eu esforços para tudo entender. Ela estava à procura de trabalho. Consegui fazer-lhe perceber que precisavam de cozinheira num albergue de apoio aos emigrantes. Obra criada por irmãs irlandesas vindas de uma cidade chamada Dublin. Dei-lhe a morada, escrita num guardanapo de papel. Contei que estava a viver com um amigo. Ela disse-me:

_ Vou lá amanhã mesmo. Venha lá procurar-me. Pode ser que o trabalho seja para mim!E quanto ao seu amigo, traga-o consigo.

À noite contei ao António o meu encontro com Claire Vaughan. Sentia-me entusiasmado, feliz como nunca me sentira em toda a minha vida. Ao António eu não falei dos meus sentimentos por esta mulher. Não que tivesse medo que ele risse de mim, mas porque a minha timidez de homem que nunca cortejara mulher nenhuma, me fazia apertar o coração de angústia. E nesse fim de semana lá fomos os dois  à cantina das Sisters of St. Claire. Entramos e a maravilhosa irlandesa  estava a enxugar as mãos ao comprido avental e olhava em volta com ar atento e solícito. As mesas estavam postas e muito limpas. Ela levantou a cabeça na nossa direção, como que atraída pelas nossas silhuetas. O António parou. Parecia aturdido. Murmurou para mim palavras indistintas e já ela se aproximava de nós.

_Este é o seu amigo? Bem vindo!

Vi-os olharem-se. Vi, num só relance, que aquela mulher vulcânica estava a prender-se tempestuosa e serenamente nas vagas da vida do meu amigo. Quando eles foram viver juntos, afastei-me. Uma coisa era vê-los felizes. Outra era o sofrimento dentro de mim.

Autora: Beatriz Lamas Oliveira

 

Beatriz Lamas Oliveira – nasceu em Braga e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Desenha, pinta e escreve desde a adolescência. O trabalho como médica nunca impediu outras atividades que lhe são essenciais para se sentir útil, viva e em estreita relação com a Natureza. O seu primeiro romance, “O Inseto Imperfeito”, foi publicado em 1999. Desde os anos 80 até à presente data fez várias exposições de pintura, usando diferentes técnicas e materiais.

Em outubro de 2014 esteve no nosso agrupamento a apresentar aos aluno do 3.º e 4.º ano do nosso Agrupamento o seu 1.º livro da coleção Vida Selvagem: “O mocho sábio”.

Em abril de 2016, visitou-nos para apresentar aos alunos do 8.º ano da Escola Secundária o seu 2.º livro da coleção Vida Selvagem: “O Clube das Efes”.

Em fevereiro de 2017, apresentou aos alunos do 3.º e 4.º anos da Escola Básica de Pias o seu 3.º livro da coleção Vida Selvagem: “A Raposa Sebastiana”.

12.º Concurso Literário Álvaro Feijó 2019

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REGULAMENTO 12.º CONCURSO LITERÁRIO

A Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Lousada, com a colaboração dos professores de Português, pretende desenvolver um papel ativo na promoção da escrita. Para isso dinamiza o concurso literário “Álvaro Feijó”, que visa incentivar a criação e a divulgação literária em língua portuguesa, de e para a população escolar do concelho de Lousada, no âmbito da homenagem ao poeta lousadense.

OBJETIVOS

O presente concurso tem como objetivos: desenvolver e consolidar competências de utilização eficaz da palavra escrita; incentivar a criatividade; estimular o envolvimento efetivo da população escolar; desenvolver e consolidar competências em diferentes vertentes literárias; valorizar e promover as diferentes formas de expressão escrita no concelho de Lousada.

REGULAMENTO VER AQUI »»»

Hoje aconteceu!… Pedro Chagas Freitas esteve na Secundária!

Galeria

11.º concurso literário e 6.º de ilustração Álvaro Feijó’18

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REGULAMENTO CONCURSO LITERÁRIO | REGULAMENTO CONCURSO DE ILUSTRAÇÃO

A equipa da Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Lousada declara abertos os 2 concursos Literário e de Ilustração Álvaro Feijó’18.
Como sabem, este certame já vai na sua 11.ª edição (Literário) e na 6.ª edição (Ilustração).
Este ano, a novidade é que o concurso de Ilustração será aberto a todos os anos de escolaridade (do pré-escolar ao secundário). Os prémios são patrocinados pela Autarquia de Lousada.
Agradece-se, pois, toda a divulgação possível junto dos professores e dos alunos dos Agrupamentos de Escolas, pois todos os  premiados (para além de livros) serão contemplados com ateliês de ilustração e/ou workshops de escrita criativa.

Convite|Festa de lançamento do livro AJUDARIS’17

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A festa de lançamento do livro “Histórias da Ajudaris’17”, realizar-se-á no próximo dia 17 de janeiro [quarta-feira], pelas 18 horas no Auditório Municipal de Lousada.

Este evento é uma iniciativa de incentivo à leitura, à escrita e à solidariedade e é promovido pela associação Ajudaris. Foi dinamizado no nosso agrupamento ​pela equipa da Biblioteca, pelas educadoras do ensino pré-escolar e pelos professores do 1.º ciclo das EB do nosso Agrupamento que incentivaram as crianças e os jovens a escreverem histórias que depois​ foram ilustradas por alunos do 11.º e do 12.ºI [de Artes Visuais] e também pelo próprio professor de Desenho da Escola Secundária, Alexandre Ribeiro.

O valor do livro é de 5€ e reverte a favor de crianças e famílias carenciadas do país.

Tem o apoio da Autarquia e do Conservatório de Música do Vale do Sousa.

O Agrupamento de Escolas de Lousada é um Agrupamento verdadeiramente solidário!

Pedro Chagas Freitas fez workshop de escrita criativa

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Hoje, entre as 14h e as 17.30h, 13 alunos vencedores do concurso literário Álvaro Feijó 2017, do 3.º ano do ensino básico até ao 11.º ano, tiveram como prémio assistir a um workshop liderado pelo escritor Pedro Chagas Freitas, na biblioteca da Escola Secundária. Este prémio teve o patrocínio da Câmara Municipal de Lousada.

Desbloquear a criatividade e a imaginação, estimular a autonomia, experimentar palavras diferentes das habituais e conhecer técnicas de desbloqueio da escrita, foram alguns dos objetivos desta ação de formação, dirigida aos alunos vencedores. Todos os presentes ficaram deslumbrados com este ateliê e confessaram que melhoraram as suas capacidades comunicativas.

Pedro Chagas Freitas é autor de romances, novelas, contos, crónicas, guiões, letras de música, textos publicitários, entre outros. Tem publicadas mais de duas dezenas de obras.