Agrupamento comemora “Dia Mundial da Poesia”

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Para assinalar o Dia Mundial da Poesia, ontem, os alunos do nosso agrupamento participaram no “III Concurso de Leitura de Poesia da RBL – Rede de Bibliotecas de Lousada”.

O evento aconteceu ontem, dia 21 de março, pelas 14:30 horas, na Biblioteca Municipal, em que participaram alunos de todos os níveis de ensino de todas as escolas do Concelho de Lousada. Para a semana, o Júri revelará os resultados do concurso.

Os nossos alunos (do 3.º ao 12.ºano) tiveram uma participação extraordinária!!!

Parabéns a todos!

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Conto “O quarto de Brooklyn”

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O quarto de Brooklyn

 

Porque será que o estranho mendigo de olhos brilhantes se dirigiu a mim chamando-me Miss Vaughan?

Se até o porteiro me chama Mrs Mendes! Neste prédio de Brooklyn nunca fui solteira. Aqui sou apenas a viúva Mendes. Este mendigo é um recém chegado à esquina leste!

Chamou-me Miss Vaughan no momento em que eu hesitava em abrir esta carta registada que fui buscar à estação de Sheepshead Bay.

Não está dirigida nem a Claire Vaughan nem a Claire Mendes. Está dirigida a António Mendes e tem um selo estranho, dum lugar remoto, chamado Açores. No selo diz Republica Portuguesa e a cor é verde chumbo. Tem a figura de uma mulher empunhando uma gadanha. Será a morte? Talvez seja uma ceifeira. Faz-me medo. É um mau pressentimento.

Consegui trazer a carta da estação de Sheepshead Bay, onde tudo está em obras,porque levei a certidão de óbito do António e a nossa licença de casamento. Lembrei-me que seria necessário provar que podia levantar uma carta, dirigida a uma pessoa falecida há dois anos,mostrando ele fora o meu legítimo marido.

Não abri a carta. Tenho-a no colo. Quando cheguei cá acima, abri a porta do meu apartamento, sempre silencioso,entrei e de forma automática fui aquecer agua para fazer um café que não me apetece beber. A caneca ficou no balcão da pequena cozinha onde preparo refeições ligeiras e sem sabor que como por obrigação.

O António nunca entrou a porta deste apartamento vazio de recordações.

As flores continuam viçosas na jarra de cristal fosco, jarra que trouxe comigo de East Providence . Prenda única do António,antes de casarmos.

Tudo o resto ficou para trás,móveis velhos e tristes que nos deram tanto prazer escolher em lojas de segunda mão. Tínhamos vida e sonhos,um futuro juntos e filhos que viriam. Para trás, no passado de ambos, havia demasiada frialdade e um deserto de dunas acidentadas.

Cada um de nós contou ao outro o muito pouco que queríamos partilhar e que não trouxesse dores e as lágrimas que pressentíamos.

O António tinha vincos profundos na face ainda tão jovem, vincos que desciam das asas do nariz até aos cantos da boca. Vincos de amargura a que eu chamava “os teus azores”. Ele sorria e os vincos não alisavam. Desses “Azores” só conheço as palavras penhascos e mar. E dor.

Por mim, Claire Vaughan, António soube da Irlanda também do outro lado do mar. Eu pouco mais disse_a miséria e a fuga estão patentes nas nossas mãos e traços.

Irmãos antes de sermos amantes, casados como dois pedaços de madeira em cruz calcinada pelo mar.

Chegados ao Porto de Nova York com alguns meses de diferença,ambos sem notar sequer a Estátua da Liberdade. Estávamos mais preocupados com os carimbos da autoridade portuária do que com o gigantesco símbolo da Liberdade.

O nosso sonho era comum: trabalho para matar a fome.

António morreu no trabalho. Caiu de um andaime de um destes prédios de Brooklyn. Por isso me mudei para aqui. Para podermos continuar a conversar as nossas conversas feitas de silêncios e de entendimento mútuo.

Por isso o porteiro do prédio só conhece esta Mrs Mendes. Nunca ouviu falar de Claire Vaughan. E não aceitou a carta dirigida ao Sr. António Mendes,carta que vinha já da estação de Rhode Island, onde há mais de um ano deixei esta minha nova morada. Não tinha mais ninguém a quem a dar. Esta carta, que tenho medo de abrir porque estará escrita numa língua que não conheço e nem poderei ler, que pode trazer para mim, que me pode trazer do António?

Já a apalpei várias vezes. Tento adivinhar o conteúdo. Fotografias? Documentos? Uma certidão de óbito?

O selo tão sombrio. A ceifeira da morte.

-Que farias tu,António?

Olhando os céus de Brooklyn, onde tu és o meu Anjo S. Miguel, interrogo-te.

-Que farias tu, António com esta carta? Abri-la-ias? Ou seria mais um envelope amachucado como os nossos corações de errantes foram amachucados antes de nos tornar-mos em Mr e Mrs Mendes?

As flores tão frescas ainda de ontem. A campainha está a tocar.

Pouso a carta no peitoril da janela. O sol poente entra e forma uma mancha brilhante na carpete verde. Os estores da pano cru verde bandeira tornam-se brilhantes como os olhos do mendigo. Brilham mesmo sem esperança.

A campainha está a tocar e eu vou abrir.

Edward Hopper está a chegar. Este homem silencioso e fechado, que conheci há dias na cafetaria ShopSuey quer pintar-nos, a ti e a mim, nos céus de Brooklyn.

Talvez depois da sessão de pose, que há-de pagar o meu jantar lá fora, na cafetaria da esquina leste, eu possa abrir a carta e, quem sabe, procurar o mendigo que me chamou Miss Vaughan. Aquele cujos olhos brilhavam como o sol poente.

O Shopsuey é um bar que também foi pintado por Edward Hopper e do qual também fiz uma reprodução.

Beatriz Lamas Oliveira

 

Beatriz Lamas Oliveira – nasceu em Braga e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Desenha, pinta e escreve desde a adolescência. O trabalho como médica nunca impediu outras atividades que lhe são essenciais para se sentir útil, viva e em estreita relação com a Natureza. O seu primeiro romance, “O Inseto Imperfeito”, foi publicado em 1999. Desde os anos 80 até à presente data fez várias exposições de pintura, usando diferentes técnicas e materiais.

Em outubro de 2014 esteve no nosso agrupamento a apresentar o seu 1.º livro da coleção Vida Selvagem: “O mocho sábio”.

Em abril de 2016, também nos visitou para apresentar o seu 2.º livro da coleção Vida Selvagem: “O Clube das Efes”.

Em fevereiro de 2017 voltou à nossa biblioteca para apresentar o seu 3.º livro da mesma coleção: “A raposa Sebastiana”.

ALUNOS APURADOS PARA O III CONCURSO DE LEITURA DE POESIA DA RBL

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Estes são os alunos do Agrupamento de Escolas de Lousada apurados para a FINAL do III Concurso de Leitura de Poesia da RBL, a realizar no dia 21 de março (Dia Mundial da Poesia), na Biblioteca Municipal, pelas 14.30 horas:

3º ano: Joana Rita Melo Tomás, da EB1 de Boavista, Silvares

4º ano: João Miguel Marques Silva, da EB1 de Cristelos

5º ano: Matilde Moreira Martins, 5º D

6º ano: Sofia do Carmo C. L. Costa, 6º D

7.º ano: Duarte Rocha, 7.ºA

8.º ano: Luís Coutinho, 8.ºA

9.º ano: Cristina Silva, 9.ºG

10.º ano: Inês Araújo, 10.ºH

11.º ano: Vanessa Rafaela Pacheco, 11.ºCM

12.º ano: Alice Vieira, 12.ºH

PARABÉNS A TODOS OS PARTICIPANTES!!!!!!

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3.ª Edição do Concurso de Leitura de Poesia da RBL

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Integrada na comemoração da “Semana da leitura 2019”, hoje a Biblioteca da Escola Secundária será palco de uma maratona de leitura para dar cumprimento à primeira etapa do 3.º Concurso de Leitura de Poesia, organizado pela Rede de Bibliotecas de Lousada (RBL).

Os alunos serão selecionados por ano de escolaridade, para representarem o nosso agrupamento na segunda etapa – Final, onde irão disputar o lugar de premiados, por ano de escolaridade, no dia 21 de março (Dia Mundial da Poesia), pelas 14h30, na Biblioteca Municipal de Lousada.

Os concorrentes são avaliados nos parâmetros da expressividade, dicção, respeito pela pontuação e ritmo de leitura.

Os prémios a atribuir serão livros e certificados de participação.

Museu de Geologia vai à Biblioteca (semana X)

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Calcário conquífero é um aglomerado formado da natureza por conchas e fragmentos de conchas particularmente não cristalinas. Não tem rachas e normalmente é muito uniforme na sua composição e estrutura. Apesar de ser constituído por calcário é considerado uma rocha sedimentar biogénica pois é alterada pela vida.

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“Hoje leitor, amanhã leitor!”

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“Hoje leitor, amanhã leitor!”

Integrada na Semana da Leitura, iniciativa que já tem alguns anos em todas as escolas que fazem parte da Rede de Bibliotecas Escolares, a Biblioteca da nossa Escola Secundária promove mais uma edição da Feira do Livro aberta a toda a comunidade.

Faz a tua visita e adquire um livro!

O que é a Web? | vídeo

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Todos os dias, milhões de pessoas usam a Web para tudo e mais alguma coisa, desde verificar o estado do tempo até partilhar vídeos de gatos. Mas o que é exactamente a “world wide web“?
Twila Camp descreve este sistema de informações interligadas como uma cidade virtual que toda a gente possui e explica como ela está organizada de um modo que imita a forma natural de pensar do nosso cérebro.
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